segunda-feira, 27 de maio de 2013

Dacnis cayana

Bico de agulha: Uma delicada aquarela em nossos jardins Quando ainda era criança, residia em São João Nepomuceno, na mesma casa onde minha mãe, Dona Regina ainda mora. Lá, temos um grande quintal que na época era por mim freqüentado diariamente; seja para cuidar da horta ou para ver os passarinhos que aos montes se aproveitavam das árvores que por lá existiam. Entre essas árvores, uma pequena que até hoje não sei seu nome correto, mas por nós era conhecida por “Cerejinha” ficava apinhada de pequenos frutos carnosos de um vermelho escuro e que eram avidamente procurados por sanhaços, sabiás, saíras e outras espécies, inclusive os morcegos frugívoros que à noite trocavam o turno com as aves. Recordo-me que aí, sob essa arvoreta, me deparei pela primeira vez com um bando de Saís-bico-de-agulha (Dacnis cayana). Quase desmaiei de emoção quando cerca de 20 indivíduos, entre as fêmeas e jovens verdes e os machos azuis chegaram atrás dessa frutinha. A beleza das cores e a delicadeza de seu talhe me encantaram ao primeiro olhar a desde aquela época não me canso de observá-las. Habitantes de todo nosso país, as Dacnis se alimentam de frutos, insetos e néctar sendo por isso visitantes constantes até de bebedouros de beija-flores. Apreciam as bordas de matas, clareiras e nossos jardins e quintais, onde podemos encontrar seus pequenos ninhos em forma de cesto onde criam geralmente dois filhotes. Em minhas caminhadas por nossas matas, sempre as vejo acompanhando os bandos mistos de diversas espécies de pássaros que seguem juntos pela floresta à cata de comida e assim se protegendo dos inimigos, pois muitos pares de olhos estão sempre atentos e dão o alarme ao menor sinal de perigo. Já pude as ver também cobertas de um pólen vermelho. O que as suja assim é a procura por néctar na florada de um cipó. Os machos como disse são verdes quando jovens e pintam-se aos poucos de azul até adquirirem a cor dos machos adultos e já os vi, depois, mudando para o verde novamente fora da época de reprodução e voltando ao azul quando se aproxima a quadra dos amores.

4 comentários:

JAIRCLOPES disse...

Limerique

Era uma vez uma pequena ave
Em revoada formando conclaves
Apaixonou o artista
De pena altruísta
Que a registrou em tons suaves.

Raphael Dutra disse...

Jair e seu talento!!!
Com meus pincéis registro o momento, com sua palavras descreve,
em perfeito andamento,
o que senti
inspirado e atento.

Tentei, mas não tenho seu talento!!!
Parabéns!!!!

JAIRCLOPES disse...

Limerique

Uma avezinha num voo lento
Não está ao sabor do elemento
Ela não voa ao léu
Procura o Raphael
Pois sabe onde mora o talento.

rose disse...

Raphael,sou observadora ou mais ainda admiradora de aves e desenvolvo um trabalho na Ilha do Mel/PR. Lá também convivemos com famílias de Dacnis cayana. A sua informação de que os machos voltam a ficar verdes no período não reprodutivo me chamou a atenção. Só acompanhei a mudança de cor do jovem para o adulto imaginando que ele ficaria definitivamente azul. Parabéns por conseguir passar para o papel a riqueza de detalhes que seus olhos e sua emoção conseguem captar.
abraços
Roseli Debiazio